
Eu não cresci um fã de
Jornada nas Estrelas. Muito pelo contrário, cedo na minha vida eu assisti
Guerra nas Estrelas e logo virei devoto Jedi. Tenho lembranças felizes da minha infância, meu pai imitando a voz do Darth Vader para mim e eu rindo. Assim, crescendo fã da maior trilogia da história, sempre mantive um certo sentimento de rivalidade com
Jornada nas Estrelas e com seus trekkies (fã do seriado original).
Eu sempre achei que
Jornada nas Estrelas tinha, de fato, uma mitologia bastante interessante, mas a pobreza visual do seriado de televisão e filmes que me pareciam muito ligados à mesma, mantiveram-me afastado. O novo filme, dirigido por J.J. Abrams, com certeza não sofre de pobreza visual ou qualquer outro tipo de pobreza. Pelo contrário, o filme do criador das séries de TV,
Felicity,
Alias,
Lost e
Fringe, é muito rico e esbanja nos efeitos visuais de última geração.
Apesar do imenso sucesso na TV, J.J. Abrams ainda é iniciante como diretor de cinema, esse é apenas o segundo filme dele, que anteriormente dirigiu o
Missão: Impossível 3. Mas, como em suas séries de TV, o diretor foi audacioso. Ele resolveu que o filme reiniciaria a franquia com os personagens

originais. Personagens esses que são venerados e adorados por milhares dos fãs, talvez, mais ardorosos do mundo.
Abrams sempre disse em entrevistas e para os fãs que não havia crescido como um fã da série, mas pelo contrário, era fã de
Guerra das Estrelas. Talvez, por esse motivo ele tenha conseguido mexer com a mitologia fundamental da série, o chamado cânone, e feito um filme tão grandioso quanto os da sagrada trilogia.
Então, vamos ao comentário.
Star Trek é o
Batman Begins do universo de
Jornada nas Estrelas, o filme conta a história da formação da equipe clássica que levará a
U.S.S. Enterprise para onde nenhum homem foi antes. A história começa focando na dicotomia entre James T. Kirk, o galã Chris Pine, e Sr. Spock, Zachary Quinto. Abrams usou uma teoria de

viagem no tempo, digna de sua série
Lost, para explicar que a viagem no tempo do vilão Nero, o romulano vivido por Eric Bana, e Sr. Spock do futuro, matando a saudade do vulcano original Leonard Nimoy, altera toda a história do universo, criando assim uma nova franquia que pode se diferenciar do seriado da televisão.
Enquanto Jim Kirk é um terráqueo corajoso, mas arrogante, que se alista na última hora como cadete da federação. Vemos no inicio do filme que o pai de Kirk, foi um oficial da federação que virou herói. Já Spock vive uma eterna procura por sua identidade, por ser meio humano e meio vulcano, uma raça superior que tem a lógica como maior atributo e renega a emoção.
Durante o filme os cadetes são obrigados a assumir postos de batalha, o que leva Kirk, Spock, e os personagens clássicos, “Magro” McCoy, Uhura, Sulu, Scotty, Chekov

(sim, estão todos lá!), para dentro da Enterprise em sua primeira missão. O que segue é o que se pode esperar de qualquer
Jornada nas Estrelas, assim como de quase todo filme de ação e ficção científica, muita ação, aventura, com bastante do humor característico da série.
Todos os atores estão muito bem nos papéis que interpretam. Eles o fazem com um misto de imitação e muito talento. Me pareceu que estavam interpretando aqueles personagens não imitando os atores que os tinham feito anteriormente, mas como quem interpreta figuras históricas bastante conhecidas. E é assim que deveria ser. Do elenco, destacam-se o australiano Karl Urban, como o médico e melhor amigo do capitão Kirk, Leonard “Magro” McCoy, e Quinto, o Sylar da série “Heroes”, como o novo Sr. Spock.

No fim das contas, o filme é bastante divertido e traz, finalmente, uma roupagem e investimento dignos à mitologia da série. A única coisa que realmente me incomodou no filme foi a fotografia. Todas as luzes refletiam nas lentes da câmera. Ao ponto de me convencer que o diretor de fotografia, Daniel Mindel, usou isso como artifício narrativo. Mas isso é feio! É uma falha de câmera. Usar algumas poucas vezes durante o filme para dar uma impressão de realidade é compreensível, mas em praticamente todo plano foi demais para o meu gosto. Até nas tomadas do espaço, criadas por computador, sem luz real, eles se deram ao trabalho de criar, no computador, reflexos na lente.
Outra crítica que eu tenho é sobre o nome. Essa onda dos grandes estúdios de quererem criar franquias globalmente reconhecidas pelo mesmo nome, assim,
Guerra nas Estrelas virou
Star Wars,
Super-Homem retornou como
Superman e agora o bom e velho
Jornada nas Estrelas enrolou a língua e veio como
Star Trek. Coisas de marketeiros... vai entender.
Star Trek estreou na última sexta-feira e está em cartaz em quase todos os cinemas.
Vida longa e próspera!